Síndrome pós-spike l Sociedade Paulista de Infectologia reforça a segurança das vacinas

Prezado(a),

A Sociedade Paulista de Infectologia (SPI) manifesta preocupação com a disseminação de informações falsas sobre vacinas contra a covid-19, em especial a chamada “síndrome pós-spike” ou “spikeopatia”, que vem sendo promovida por alguns profissionais de saúde nas redes sociais. A entidade alerta que tal condição não é reconhecida pela comunidade científica, não possui comprovação de existência e tem sido utilizada para comercialização de cursos, consultas e “protocolos” sem validade científica.

Nos últimos dias, reportagens publicadas pelo Estadão e manifestações de entidades como SBIm, SBPC, ABC e do próprio Ministério da Saúde evidenciaram que médicos antivacina vêm lucrando com a divulgação dessa suposta síndrome. O principal estudo citado por esses profissionais – um relato de cinco casos – foi retratado pela revista científica IDCases devido à falta de evidências que sustentam a hipótese e ao risco de difusão de tratamentos não validados.

Vacinas são seguras e não causam “síndrome pós-spike”

A SPI reforça que:

  • Não há evidências de que a proteína spike produzida após a vacinação cause qualquer doença não descrita em bula;
  • Vacinas de mRNA não alteram o DNA, não permanecem no organismo e têm segurança comprovada por estudos clínicos e por bilhões de doses aplicadas em todo o mundo;
  • Eventos adversos graves associados à vacinação contra a covid-19 são raros, amplamente monitorados e muito menos frequentes que complicações da própria doença, como covid longa, miocardite e danos neurológicos.

Especialistas e agências regulatórias reiteram que a produção de proteína spike após a aplicação das vacinas é limitada, transitória e necessária para gerar proteção – sem causar intoxicação, inflamação crônica ou qualquer quadro compatível com a “síndrome pós-spike”.

Desinformação ameaça a saúde pública

O Brasil concentra aproximadamente 40% do conteúdo antivacina que circula na América Latina, segundo estudos da FGV. Para a SPI, a exploração comercial desse tipo de desinformação – especialmente por profissionais habilitados – representa grave risco à confiança nas vacinas e ao Programa Nacional de Imunizações.
A entidade também destaca preocupação com a oferta de “detox de vacina”, suplementos e tratamentos caros divulgados como soluções para uma doença inexistente. Tais práticas não têm base científica, podem atrasar diagnósticos verdadeiros e ferem princípios éticos da Medicina.

Orientação à população

A SPI recomenda que a população:

  • Mantenha o calendário vacinal atualizado;
  • Busque informações em fontes confiáveis, como Ministério da Saúde, Anvisa e sociedades científicas;
  • Evite seguir orientações médicas divulgadas em vídeos ou postagens sem respaldo técnico;
  • Procure serviços de saúde oficiais em caso de dúvidas ou sintomas pós-vacinais.

Compromisso institucional

A Sociedade Paulista de Infectologia reafirma seu compromisso com:

  • A defesa da vacinação como ferramenta essencial de saúde pública;
  • O combate à desinformação e ao negacionismo científico;
  • E o apoio a medidas legais e regulatórias que protejam a população de práticas enganosas.

Vacinas salvam vidas. A saúde pública não pode ser prejudicada por informações falsas divulgadas para gerar engajamento ou lucro.

Atenciosamente,
Sociedade Paulista de Infectologia (SPI).

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Referência em Infectologia no Estado de São Paulo, a SPI atua há décadas promovendo conhecimento, integração entre especialistas e valorização da ciência médica. Com foco na formação contínua e eventos de alto nível, tornou-se uma das principais entidades da área no país.

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