Esclarecimentos da Sociedade Paulista de Infectologia sobre as recentes declarações do presidente sobre as vacinas contra a covid-19

1.     No dia 21 de outubro de 2021, o Presidente Jair Bolsonaro mencionou uma suposta pesquisa citando “temos um estudo aqui do Reino Unido, onde 70% dos mortos com covid-19 estavam vacinados”. Essa informação é falsa.
O próprio governo do Reino Unido tem divulgado que a população completamente vacinada representara menos de 1% das mortes por covid-19 neste país, no primeiro semestre de 2021.1


2.     No mesmo dia, o Presidente Jair Bolsonaro citou supostos relatórios oficiais do Reino Unido que sugerem que “os totalmente vacinados […] estão desenvolvendo a síndrome da imunodeficiência adquirida muito mais rápido do que o previsto”.

Trata-se de outra informação falsa.
Não existe nenhum relatório oficial e nem estudo científico que comprove tal afirmação.
O próprio Ministério da Saúde do Brasil, em sintonia com as recomendações internacionais, orienta que pessoas vivendo com HIV (PVHIV) recebam o esquema vacinal básico contra covid-19, independente da contagem de células CD4+.
Inclusive orienta que as PVHIV recebam a dose de reforço, 28 dias após completado o esquema vacinal básico.²

3.     Lamentamos profundamente a morte, até 23 de outubro de 2021, de 605.569 pessoas, em decorrência da pandemia da covid-19 no Brasil, constituindo, globalmente, o segundo país com mais mortes durante a pandemia.³ A introdução das vacinas contra covid-19 tem demonstrado elevadas taxas de eficácia e segurança para evitar as formas graves e óbitos decorrentes da infecção pelo SARS-CoV-2. A vacinação contra covid-19 definiu um ponto de inflexão no enfrentamento da pandemia. No cenário atual brasileiro, no qual aproximadamente 60% da população adulta tem completado o esquema vacinal básico.4 consideramos inadmissível que autoridades políticas, especialmente o Presidente da República, divulguem informações falsas que somente contribuem para a desconfiança e hesitação de certos setores da população.  

4.     Solicitamos que as autoridades sanitárias, em todos os níveis da Federação, entidades representativas da saúde e, sobretudo, o Ministério da Saúde, otimizem estratégias de comunicação populacional, visando o aumento da adesão vacinal contra covid-19 e o reforço de informações baseadas na ciência e não em opiniões pessoais.


 

Diretoria da Sociedade Paulista de Infectologia

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