A Sociedade Paulista de Infectologia realizou, no mês de outubro, mais uma edição do Terças-Feiras com a SPI, desta vez dedicada ao tema “Higiene hospitalar: a base dos processos de combate à resistência antimicrobiana e às IRAS”.
O encontro, realizado em alusão ao Clean Hospital Day, comemorado no dia 20 de outubro, reuniu especialistas para discutir o papel da higiene ambiental na prevenção das infecções relacionadas à assistência à saúde (IRAS) e no enfrentamento da resistência antimicrobiana. A atividade foi coordenada pelo Dr. Eduardo Medeiros, diretor da SPI, que iniciou o encontro apresentando a proposta do Terças-Feiras com a SPI e retomando a trajetória da iniciativa. Na sequência, apresentou a palestrante Enfa. Dayana Fram e os debatedores Dr. Julival Ribeiro e Profa. Monica Taminato.
Em sua apresentação, o Dr. Eduardo Medeiros abordou as relações entre o ambiente hospitalar, a transmissão de microrganismos e a importância da contaminação ambiental na ocorrência de IRAS. Destacou a transmissão por contato, especialmente por meio das mãos e de equipamentos e superfícies de alto toque contaminados, além da importância da carga microbiana e da capacidade de sobrevivência dos microrganismos no ambiente hospitalar.
Um ponto importante discutido foi o cenário das unidades de terapia intensiva durante a pandemia de covid-19, marcado pelo aumento da resistência antimicrobiana, das IRAS e das infecções por microrganismos multirresistentes. A apresentação ainda abordou a importância do ambiente na contenção de surtos, o uso de desinfetantes com atividade contra Candida auris e os cuidados em unidades destinadas a pacientes imunodeprimidos.
Na sequência, a Enfa. Dayana Fram apresentou aspectos práticos da higiene hospitalar, com destaque para sua importância no centro cirúrgico. A palestrante ressaltou que o ambiente pode atuar como reservatório de microrganismos e contribuir para a ocorrência de IRAS, reforçando a necessidade de protocolos estruturados de higiene ambiental. Entre os pontos abordados estiveram a avaliação de riscos e o mapeamento das áreas, as condições sanitárias, os princípios gerais de limpeza, a identificação de superfícies de alto toque e a definição da frequência adequada de higienização. Também foram discutidos os critérios para a escolha de saneantes, o uso de tecnologias complementares, como a radiação ultravioleta e o vapor de peróxido de hidrogênio, além da capacitação das equipes e do monitoramento dos processos de higiene ambiental.
Após as apresentações, o encontro foi aberto aos comentários do Dr. Julival Ribeiro e da Profa. Monica Taminato, que contribuiu para ampliar a discussão a partir de suas experiências. Ao final, os participantes puderam encaminhar perguntas e interagir com os especialistas. A edição reforçou que a higiene hospitalar deve ser compreendida como parte essencial das estratégias de prevenção e controle de infecções, o que exige protocolos bem definidos, equipes capacitadas e monitoramento contínuo. O cuidado com o ambiente também é uma medida fundamental para a segurança dos pacientes e o enfrentamento da resistência antimicrobiana.
Assista a aula completa: https://youtu.be/ioIm67rcZWM
Atenciosamente,
Sociedade Paulista de Infectologia.
