Vacinação contra Influenza é tema no 11º Congresso Paulista de Infectologia

Recentemente, aconteceu em São Paulo o 11º Congresso Paulista de Infectologia, evento que trouxe em sua grade de programação uma apresentação sobre vacinação contra Influenza, apresentada pela professora afiliada da Unifesp e membro da International Society of Influenza ISIRV, Nancy Bellei.

A primeira vacina de influenza foi produzida na década de 1940, cerca de 20 anos após a eclosão da pandemia de gripe espanhola de 1918. Desde então, as vacinas mais utilizadas globalmente empregam ovos embrionados e a maior parte do processo de produção praticamente não mudou.

Novas formulações vêm sendo testadas, algumas já utilizadas em menor escala, com o objetivo de aperfeiçoar a oferta destas vacinas, na tentativa de ampliar a resposta a antígenos mais diversificados. “Isto é fundamental, pois as estirpes virais circulantes sofrem mutações adaptativas durante a passagem no ovo embrionado, exatamente nas glicoproteínas envoltas na membrana lipídica do envelope viral (espículas), as quais exibem as principais propriedades antigênicas dos vírus da gripe. Além disso, durante a circulação na espécie humana, ocorrem alterações genéticas nos vírus circulantes que não permitem o match vacinal adequado”, explica a professora

Por outro lado, é certo que nos depararemos em algum momento com uma nova pandemia, cada vez mais provável devido à intensa circulação na espécie animal de vírus influenza A H5N1 e influenza AH7N9, estes que, eventualmente, determinam doença em humanos, acidentalmente infectados.

Existe ainda a possibilidade de que vários outros vírus do tipo influenza A, naturalmente distribuídos na natureza em diversas espécies animais, possam sofrer rearranjos em hospedeiros diversos, contribuindo para futuras cepas pandêmicas.

“Diante deste cenário, a corrida por uma vacina universal, que ofereça proteção contra todos os subtipos da influenza, evitando a morte de mais de 500 mil pessoas por ano no mundo, vem recebendo substancioso investimento internacional para seu desenvolvimento”, destaca a especialista.

Vale ressaltar, ainda que a eficácia da vacina atualmente disponível seja muito variável, sempre existe a possibilidade de redução de casos graves e de óbitos causados pelos vírus influenza A e B circulantes. Diversas novas drogas antivirais estão sendo estudadas em ensaios clínicos, algumas já aprovadas em países como o Japão e, em breve, novas combinações de antivirais, atuando em diferentes estágios da replicação viral, poderão ser utilizadas, principalmente nos pacientes graves.

Entretanto, as mesmas considerações da dinâmica de mutações e escape viral são determinantes relevantes na eficácia clínica do uso destas drogas e, da mesma forma, representam um desafio no controle das epidemias de influenza. “Assim, neste momento, a melhor arma contra a influenza, ainda continua sendo a vigilância da virológica mundial e a prevenção da doença através da vacinação do maior número de pessoas em cada temporada de gripe”, finaliza Nancy Bellei





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