Epidemias das infecções relacionadas com a assistência à saúde (IRAS) no Brasil

As infecções relacionadas à assistência à saúde (IRAS) são o evento adverso mais frequente em ambientes de saúde em todo o mundo, que afetam centenas de milhões de pessoas e constituem um grande desafio global para a segurança do paciente. No entanto, a incidência global de IRAS permanece desconhecida devido à dificuldade de reunir dados confiáveis. Nos hospitais, clínicas ambulatoriais e instituições de longa permanência, as IRAS são um problema pouco conhecido e que nenhuma instituição ou país pode alegar ter resolvido ainda.

 
A vigilância das IRAS é complexa e requer o uso de critérios padronizados, disponibilidade de ferramentas de diagnóstico e expertise para interpretar os resultados. Os sistemas de vigilância para IRAS estão disponíveis em vários países de alta renda, mas não são viáveis ??na maioria dos países de baixa e média renda.
 
As IRAS podem levar a hospitalização prolongada, incapacidade a longo prazo, aumento da resistência de micro-organismos a antimicrobianos, custos adicionais maciços para os sistemas de saúde, altos custos para os pacientes e sua família, além de mortes desnecessárias.
 
De 2010 até o presente, o ônus dos patógenos multirresistentes vem aumentando assustadoramente. A resistência antimicrobiana está ocorrendo em todo o mundo, comprometendo nossa capacidade de tratar as doenças infecciosas. Tanto a Organização Mundial da Saúde (OMS) como o Centro de Controle e Prevenção de Doenças (CDC) chamaram a atenção para esse problema e tentaram integrar programas para reduzir as IRAS auxiliando na avaliação, planejamento e implementação de políticas de prevenção e controle de infecção, incluindo ações oportunas em níveis nacional e institucional.
 
No entanto, ainda estamos longe de resolver esta questão. Por outro lado, há fortes evidências de que as IRAS podem ser evitadas. Torna-se imperativo que medidas básicas para controle e prevenção de infecção sejam colocadas em prática, como a higienização das mãos, a implementação de precauções padrão e de isolamento, limpeza ambiental, água e saneamento em ambientes de saúde, além de procedimentos corretos de esterilização e desinfecção e medidas específicas para segurança das medicações intravenosas.
 
*Thais Guimarães – médica infectologista e presidente da comissão científica do 11º Congresso Paulista de Infectologia
 
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