Nota da Sociedade Paulista de Infectologia sobre Flexibilização de Medidas de Restrição Social no Estado de São Paulo

Nós, médicos infectologistas envolvidos na linha de frente assistencial, em apoio a políticas públicas e na pesquisa voltada à prevenção, controle e manejo clínico da COVID-19, manifestamos nossa extrema preocupação com as recentes medidas de flexibilização de atividades comerciais não essenciais e de entretenimento no Estado de São Paulo.

Compreendemos as necessidades econômicas e sociais de nossa população, manifestamos nossa contínua solidariedade àqueles que tiveram suas vidas e seus empregos destroçados pela pandemia. No entanto, entendemos que a abertura deveria ser mais gradual e lenta, face aos riscos representados pela variante delta do novo coronavírus que causa a COVID-19.

Resumidamente, essa variante é duas vezes mais transmissível, e uma pessoa infectada expele até mil vezes mais vírus que aquela com COVID-19 causada por outra linhagem do coronavírus. Países com altas taxas vacinais, como Israel e os Estados Unidos, têm passado por aumento de casos e de mortes, embora essas últimas se mostrem menos frequentes em pessoas vacinadas. O que dizer do Brasil, onde a população adulta vacinada ainda é inferior ao desejável? No Estado de São Paulo, após esforços governamentais (de grande mérito) conseguiu-se imunizar a população adulta com a primeira dose. Porém, esta se mostra insuficiente para proteção contra a variante delta. Na verdade, mesmo a vacinação completa oferece proteção um pouco menor contra essa variante, quando comparada às demais cepas do coronavírus.

A diretoria da Sociedade Paulista de Infectologia (SPI) reitera a necessidade de manter o distanciamento social, evitar aglomerações, manter as áreas arejadas e utilizar rigorosamente máscaras em todos os ambientes coletivos, além de higienizar as mãos após qualquer contato com outras pessoas ou com superfícies. Se relaxarmos esses comportamentos protetores, corremos o risco de nova onda da COVID-19, com aumento significativo de casos e internações, sobrecarregando mais uma vez nossos serviços de saúde.

A proteção contra COVID-19 é um ato de cidadania, com impactos coletivos. Cada um de nós é responsável pela saúde dos demais. Que continuemos a nos cuidar, para em um futuro breve vencermos a pandemia.
 
 

São Paulo, 17 de agosto de 2021
Diretoria da Sociedade Paulista de Infectologia



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